terça-feira, 17 de maio de 2016

Brasil, Junho de 13.


Se uma rede social representa o grupo que nela está contido, o que eu posso concluir é que está faltando foco a esse movimento popular visto eclodir no país inteiro.
Vejo opiniões diversas e inclusive aqueles que já se monstram contrários ao movimento. Vejo inclusive os que ainda não sacaram do que se trata. Justamente por vivermos em uma suposta democracia é que nos damos o direito de caminhar aleatoriamente conforme os fatos nos são mais ou menos convincentes. 
Para mim tudo isso só terá valor se representar uma mudança de mentalidade. Quem vai para rua, ou pelo menos boa parte desses, vai ter mais noção daqui para frente do que representa ter um poder de consumo de apenas 23% daquilo que você recebe por trabalhar honestamente. Pois é uma minoria que viaja e compra iPad no exterior e que tem noção de quanto os bens de consumo estão confortavelmente ao alcance do cidadão comum dos países desenvolvidos. Essa massa terá noção da carga tributária não em números, mas sentirá a repulsa quando se ver transgredindo as leis de convivência e regras de cuidado com o bem comum. Vai ter noção de que não cuidar do patrimônio público é como não cuidar da própria casa. A noção do quão revoltante é o que nossos representantes fazem com o nosso dinheiro ... muitos não tem essa percepção exata ou vivem dentro de um casúlo de conforto, no dane-se mode on. 

Eu ficaria muito satisfeito se pegasse a moda de cuidar do Brasil no dia a dia e não apenas no ‪#‎vemprarua‬, de cuidar do trânsito, cuidar do próximo, não apenas compartilhar fotos de filas nos hospitais. Ficaria satisfeito se pegasse a moda de falar sobre política, pois política é isso, é ser malandro, ser vivo frente a tua realidade. Ficaria faceiro se ficasse mais fashion questionar aquele que leva vantagem sem merecimento. E melhor que isso, se não só questionassemos mas se dessemos o exemplo. Ficaria em êxtase se de fato deixassemos de ser uma população guiada pela habilidade de resolver nossos problemas com passos curtos e egoístas. Assim funcionou nos países evoluídos, assim se construiu a cultura popular daqueles povos, que evoluíram da baderna bárbara ao amadurecimento dos direitos e deveres de cada um dentro do grupo.

Feito isso, ou pelo menos boa parte disso, arriscaria propor a luta por pontos específicos já listados nessa rede social (Não à PEC-37, crime ediondo à corrupção, investigação do enriquecimento dos membros do governo, saída de Renan Calheiros, Genuíno e cia, etc).

Só não fico feliz se aquele que se coloca a favor do movimento for taxado como demagogo ou oportunista. A mudança está na saída da zona de conforto e cada um está no direito de sair o quanto quiser. Se o brasileiro é malandro, então é evidente que tamanha comoção popular é o que faltava para abrir os olhos daqueles pobres coitados que votam com a barriga, esses sim o motivo da permanência do eterno status de país em desenvolvimento. Santa ingenuidade? Não me interessa, ao vencedor as batatas.

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