terça-feira, 17 de maio de 2016

Brasil, Junho de 2015.

Perdoem-me os profissionais das humanas e intelectuais de plantão, mas meu foco é quem não leu o quanto vocês leram, vou citar 2 Zygmunt(d)s que eu li há alguns anos e cujas reflexões tem me parecido justas para a ocasião. "O Mal estar da Civilização" do seu Z. Freud e a obra do seu Zygmund Baumann "O mal estar da pós-modernidade".
Na primeira obra, o autor fala da relação da civilização humana com os seus desconfortos, baseado em suas análises da civilização moderna, ou seja, pré movimentos de 1968. Na segunda obra, o outro autor dedica-se a reflexões como a do antagonismo entre o conforto da segurança (representada entre outras coisas pela moral e costumes) e o "desconforto" da liberdade extrema (interatividade cibernética, para não falar frenética), livre escolha, livre informação, quebra de padrões morais modernos (dos nossos avós e bisavós), etc.
Vivemos no mundo ocidental uma espécie de mal estar crônico que iniciou meio século atrás pelo menos. De um lado uns comemoram o amor livre e jocosamente defendem a heterofobia, de outro pastores buscam conceitos arcaicos para não perdermos a segurança da moral e dos costumes.
Supremacias de raças, homofobia, movimentos de ultra direita buscam espaço em um mar de pluralidade pós moderno. O mesmo país que cria um homem para invadir uma igreja negra e matar a tiros uma duzia de coirmãos hoje comemora a vanguarda, a igualdade e
o Amor livre na forma do casamento homafetivo.

No brasil, alguns sem entender bem o porquê, mas lá no fundo levados pelo descontentamento e mal estar gerado pela falta de "segurança" dos antigos padrões morais, defendem idéias conservadoras, ignoram a homofobia, disputam espaço com supostos libertários de esquerda que teimam em defender sua ideologia anacrônica. Em meio a isso uma massa de descontentes sem sequer entender também o porquê do sentimento.
Neste mesmo contexto, outros vilipendiam o ser humano diariamente com compartilhamentos "secretos" dos grupos de whatsapp. No grupo tudo pode. O problema é que hoje quando você acha que ninguém está vendo, milhões estão recebendo e disseminando. Sem pensar, sem racionalizar e também sem sentir.
A questão aqui está em aceitar que a civilização humana está em processo de transformação e não há padrões morais (eu digo morais e não toco no assunto religião) estabelecidos e reconfortantes a seguir. Identificar é o primeiro passo para entender e dar um passo avante.
Tirando isso, parabéns ao presidente Barack Obama. No Brasil o assunto homofobia ainda é nebuloso. Parabéns ao fanfarrão, segundo alguns, Juíz Sérgio Moro. Acreditemos também na Polícia Federal. Voltem a prestar atenção nos fatos. Voltem para a rua elites. Que o Lula vá para a cela dele, mas sem violência. Deixem os milicos no canto deles. Pode até liberar uma "regalia" pro Luis Inácio ... Uma televisão 24h ligada no programa da Sônia Abraão transmitindo algum pós enterro ou reprises ininterruptas do programa do João Kleber .... Isso se quiserem revisitar de forma repaginada os tempos de tortura, mas nada além disso. E ok, soltem o arco-íris que está dentro de vocês.

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